Humor tão exagerado que chega a ser idiota.

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O titulo justifica o que é o programa do Ratinho. E por mais surpreendente que pareça, ainda existe quem goste de tais absurdos. O texto de Danny Marchesi, que busca analisar a presença do popular em programas, abriu os meus olhos para que enxergasse a realidade do grotesco na televisão brasileira.

O que mais apavora, é que as pessoas querem se expor, contar suas bizarrices, não importando se estarão ao vivo. Por exemplo, o caso de Arlindo. Um construtor com a vida acabada que se masturbava com garrafa pet. Ao invés de sentir vergonha e ter uma pequena fagulha de amor próprio, o mesmo foi comentar e brincar no ratinho sobre o ocorrido em troca de dinheiro.

As pessoas não se dão moral. O pobre prefere ter sua vida levada até a televisão como se isso fosse dimensiona-lo para que os outros começassem a se importar com ele. O exame de DNA, anunciado no programa do Carlos Massa, é ridículo. Os gritos da plateia de: – Vai ter que pagar pensão. Isso é um programa de entretenimento?

Ou seja, desde o inicio da década de 90, onde cresceu a ideia da maior exposição da intimidade, o cidadão comum ficou cada vez mais suscetível a ingressar nas mídias. Para que, na figura apresentada, gere a ideia que pessoa exposta seja uma “representante do povo”.

Estudo compreender o ganho cultural desse programa que ao misturar o comico e o dramático do cidadão comum, além de ter conotações baixas e um improviso pior ainda, tenta levar ao telespectador a imagem de que tudo pode ser encarado na ironia ou piada.

Aqui também podemos notar o conceito de grotesco estipulado por Paiva e Sodré. Afinal, este programa faz apelo ao erótico com mulheres semi-nuas, piadas e linguagem com conotações sexuais. O riso através do trágico ou de bundas.

E depois de tudo isso, voltamos ao caso de Arlindo. Um homem com filhos pra criar, desempregado, com contas atrasadas, sem condições de sobrevivência e nenhum amor próprio. Enquanto ele chora pela sua vida medíocre, o Carlos Massa e a plateia riem do seu desespero. Tudo para que ele se desculpasse por ter “transando com uma garrafa”.

E como se não fosse o suficiente todo esse cenário, o apresentador tem a insensibilidade de fazer mais chacota e pisar no resto de dignidade daquele homem, ao dizer: “Mas brincadeira vão fazer o resto da vida, aparecendo aqui ou não.” Logo, a intenção dele de ir até o programa para alguma reversão de quadro, foi toda jogada no lixo.

Mas vamos partir para um outro quadro que exemplifica tudo dito acima: O teste de DNA. Algo que deveria ser serio por envolver uma vida em questão, é tratado ali de forma banal e irônica. Marcado por brigas, confusões e palavrões, colocam até dois seguranças para que apartem agressões físicas durante a exibição.

Em um dos casos, Wilson que foi chamado para um testa de DNA, aproveita o espaço concedido no programa para cantar e fazer piadas para se auto-promover como artista de rua. O que gera mais revolta em Bianca, sua ex-parceira. Um “prato cheio” para o programa. Enfatizando o ponto de que as pessoas querem aparecer, não importando a situação.

Mas ainda pode piorar. Como “atração extra” do quadro ainda apresentam em vídeo, como o casal se conheceu e como a noticia sobre o teste os levou até o Ratinho. Não é preciso dizer que linguagens irônicas e conteúdos apelativos aparecem nessas reconstituições de fatos.

Então, num panorama geral, podemos dizer que além de todas as coisas, o programa ainda por cima tem uma proposta enganosa. Onde ele vende a ideia que ali, naquele palco onde são feitas: Dramatizações, brincadeiras, piadas e fantasias. O cidadão comum tem ou teria a possibilidade de resolver os seus problemas diante a câmera.

O Ratinho ainda tem a audácia de se achar um representante do povo brasileiro naquele lixo de programa. Dizendo que o espaço concedido são para as pessoas e seus problemas. Além de debochado é mentiroso. Por que ele não valoriza essas pessoas e sim as expõe.

Ou seja, não somente o programa, mas como o próprio ratinho, tiram nota 10 na representação do que é grotesco. Onde as diferenças e as características físicas e pessoais de cada pessoa são motivos de piadas. Um programa onde nada pode ser levado a serio. E infelizmente, esse tipo de coisa ainda gera audiência e risos de telespectadores (ou deveria dizer alienados).

Texto: Luiz Antunes.

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